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Explorando o possível adjacente

Nos últimos dias  continuamos nossa exploração do possivel adjacente, usando e apresentando o GiFT em várias oportunidades. O possível adjacente é um conceito utilizado por Steven Johnson em “De onde vem as boas ideias”. Um possível adjacente favorável é um dos fatores do  padrão comum identificado por ele no surgimento e  sucesso de  boas ideias.

Uma boa ideia, uma invenção,  é um tipo de bricolagem, de montagem que você faz com o que há nos lugares onde vive, circula, aprende. Criar uma coisa nova e útil,  sempre tem muito de exaptação (outros dos fatores do sucesso, identificado por Johnson). As habilidades, recursos, tecnologias  e conhecimentos existentes onde se vive são a matéria prima e, às vezes, o limite ou a condição de sucesso de uma ideia. [se ainda não leu o livro do Johnson, leia]

Por isso  adorei o Software Free Day, que aconteceu no Laboratório Hacker de Campinas, dia 25 de setembro. O SFD é um evento internacional, mantido pela Software Freedom International (SFI). Em Campinas, a organização foi do  LibrePlanet São Paulo.

Fomos convidados para apresentar o projeto GiFT e o CleverBox, que está cada dia melhor com o trabalho que a rede de usuários do LibraryBox vem fazendo no mundo, incluindo o Edson Ribeiro. Mas o importante foi conhecer as pessoas e as ideias, e conectar num ambiente que faz com que o possível adjacente fique muito propício para um bom desenvolvimento da versão para escolas públicas que venho desenhando para o GiFT. [Cada vez mais  forte a percepção da importância e a vontade de levar a cultura  do software livre para o ambiente escolar.]

Foi lá que escutei : “Computador não é eletrodoméstico, ele é programável!”

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No sábado anterior, fomos  numa ocupação generosa em Barão Geraldo, organizada pelo mupi  e sciencia, gente da economia criativa da RMC que conhecemos na Feira dos Patrulheiros. GiFT!

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E no dia seguinte, no TEDx Praça da Independência, em Itu, uma produção coletiva de uma rede local muito consistente e ativa.  O tema, a “Cidade que queremos”.  Amigos, ideias, sonhos. E GiFT!

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Coroando tudo isso, inscrevi o GiFT no  prêmio Tecnologia é a Ponte, uma iniciativa do Changemakers da Ashoka e do Instituto Embratel Claro, que criaram um desafio para identificar projetos em andamento em todo o Brasil que utilizem as TICs como ponte para conectar jovens e crianças com novos saberes e oportunidades. Há projetos do mundo todo inscritos na plataforma e muitos são ideias de grande alcance social.  Dá uma passada lá.

GiFT no Patrulheiros Campinas

Na semana de 25 de agosto estivemos  com o GiFT na 3ª Feira Estudantil da ong socioeducativa Patrulheiros Campinas. Montei uma biblioteca  com foco em juventude e estudo e também para educadores.

Patrulheiros Campinas é uma organização que atende adolescentes, de 15 a 18 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, sem distinção de raça, sexo, visão política ou crença religiosa. Um trabalho que já tem 25 anos e pelo que vi nos dias em que estive por lá, representa uma oportunidade para muitos jovens trabalhadores terem perspectiva de futuro e um presente significativo, de valorização humana e voltado para o  desenvolvimento pessoal.

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Percebi que, apesar da maioria dos jovens terem smartfones, ainda são muito poucos os que se relacionam com as tecnologias de interação e comunicação da internet como produtores e criadores, saindo da posição de consumidor e de usuário.

Imagino, suponho,  que isto está relacionado à dificuldade de acesso a computadores e a um ambiente cultural onde a apropriação de tecnologias e conhecimento, criação e experimentação sejam a tônica.

Em minhas andanças pelas escolas públicas e nos ambientes colaborativos, vejo que o espírito de laboratório, aprendizagem significativa  e livre criação não estão disponiveis para os jovens das classes mais pobres. O movimento software livre, o open source e os conceitos relacionados às pedagogias de liberdade e de desenvolvimento da criatividades ainda estão restritos às classes médias médias em diante na pirâmide social e ao pessoal que está ( ou  circula)  no ambiente universitário.

Vou começar a investigar, mas pressuponho que na democratização do acesso a tudo isso  teremos uma boa pauta para  intervenções criativas e políticas.

GIFT na exposição Síria: civilização e história

Entre 14 e 25 de julho, aconteceu no Centro Paula Souza , em São Paulo, a exposição Síria: civilização e história, idealizada por Edison Mariotti, com o apoio do Centro Cultural Árabe Sírio. A mostra apresentou trinta painéis que contemplam um recorte histórico da civilização milenar da Síria – os sítios arqueológicos.

Mariotti incluiu na atividade o LibraryBox como suporte tecnológico à exposição, gerando uma rede “WI-FI” local, sem acesso à internet, que propiciou ao visitante, contemplar as obras da exposição, com suas notas explicativas; dados estatísticos e demais relacionados, em seu celular, tablet ou netbook. E baixar em seu equipamento o que lhe interessava.

Já é a segunda exposição em que usamos o LibraryBox, e a avaliação é muito positiva. A solução reduz os custos com a comunicação local e contribui para preservar os suporte das obras (biombos) ou as paredes, pela ausência de cartazes e adesivos. Facilita a interação com o espaço e com as obras e permite que o visitante tenha registrado no seu dispositivo o que for de seu maior interesse, excluindo-se fotos, folhetos ou catálogos, e especialmente dispensando a ajuda de monitores. E também contribui a disseminação do evento nas redes sociais.

É a caixinha esperta em ação. siriaEstamos em fase de explorar suas aplicações em várias situações. GIFT!

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Zona de rede livre gerada na exposição VERaCIDADE com o CleverBox, Linhares-ES.

CleverBox é uma apropriação do LibraryBox , projeto desenvolvido por Janson Griffey, um professor universitario e pesquisador norte americano. O projeto está registrado como Criative Commons e disponível para uso e desenvolvimento. A ideia é criar uma rede local sem fio para lugares onde não há internet. O dispositivo é móvel e gera uma nuvem móvel de conteúdos que podem ser acessados e compartilhados entre os que estiverem conectados nesta rede

O dispositivo  facilita o acesso a conteúdos variados e a aproximação de educadores e estudantes com a tecnologia digital. A adaptação inclui novas funções e tradução para o português do material original. A equipe envolvida oferece orientação e suporte presenciais e online para seu uso.

Como funciona

Atualmente o CleverBox está na versão 1.0 beta, que possibilita montagem e compartilhamento (via download) de conteúdos nos formatos imagem, texto, doc/pdf, vídeo e áudio, que são organizados em uma biblioteca virtual. Além do compartilhamento, o CleverBox 1.0 beta oferece chat. Subir materiais (upload) e organizar a biblioteca só pode ser realizado pelo administrador do ambiente. Estamos trabalhando para unir as duas funções num só dispositivo.

O conjunto é composto por um TP Link MR3020 modificado, um pendrive de 16 GB SanDisk e um carregador de bateria solar. O TP Link pode ser ligado em qualquer tomada elétrica.

Muitas utilidades

O dispositivo pode ser usado como suporte tecnológico nas seguintes  atividades e você pode inventar outras mais:

– Em projetos educativos como biblioteca de conteúdos em diversos formatos.
– Em situações de emergência com documentos e orientações específicas.
– Em trabalhos de campo.
– Em palestras para compartilhar material apresentado.
– Em reuniões para compartilhar documentos e materiais em vários formatos.
– Em projetos de estímulo à leitura, como uma biblioteca volante.
– Em todo as atividades em que for necessário transportar e compartilhar documentos digitais e não disponha há de internet.
– Em intervenções nos espaços urbanos e rurais.
– Em exposições culturais.
– Em cursos e oficina como biblioteca de textos, testes e registro de atividades.

Quer um? Entre em contato: viviamaralsp@gmail.com

parcerias: zona sanguessugavírus no VERaCIDADE

Projeto em parceria com o Instituto Rosa Pattaro, explorando  as potencialidades do CleverBox no projeto VERaCidade, na escola CID Adalberto dos Reis, em Linhares-ES,  criando a zona sanguessugavírus  com a caixinha esperta.

Em 17 de junho, no lançamento da exposição VERaCIDADE, geramos  a Zona Sanguessuga Vírus no Centro Cultural Nice Avanza, em Linhares – ES.  Zona Sanguessuga Vírus é o nome que os estudantes que participaram do projeto deram à rede sem fio gerada pelo CleverBox.

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A caixinha esperta: CleverBox

No projeto Circuitos de Aprendizagem, eu e Edson Ribeiro fomos apresentados por  Carlos Diego, da CriaCorpo, ao PirateBox, dispositivo  criado por David Darts.

O PirateBox é um sistema auto-suficiente de colaboração digital móvel sem acesso à Internet, que serve para o compartilhamento de arquivos. É inspirado pelo conceito de rádio pirata e pelo movimento de cultura livre. Utiliza software livre e de código aberto para criar uma rede local sem fio de comunicação e compartilhamento de arquivos. Os usuários podem conversar anonimamente bem como trocar imagens, vídeos, áudios, documentos e outros conteúdos digitais.

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PirateBox

Nos apaixonamos pela caixinha mágica e começamos a investigar, pensando em explorar suas potencialidades  nas atividades da Sinapse e outras.  Enquanto Edson (que é quem entende de desenvolvimento) dedicava-se a montar um PirateBox, descobrimos o LibraryBox.  Mais paixão!

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LibraryBox v2.0

LibraryBox é uma bifurcação do PirateBox para roteadores que aceitem o OpenWrt, personalizado para  a área educacional, concebido e criado por Jason Griffey. A ideia é um biblioteca digital com conteúdo em vários formatos.  Em qualquer lugar em que  há  falta de acesso à internet, LibraryBox pode prover a entrega de informações e facilitar a interação.

CleverBox é a nossa versão do LibraryBox. Estamos fazendo mudanças para adaptá-lo aos ambientes e usos que estamos imaginando.  Apresentamos para amigos no Avistar 2014, com uma biblioteca de vídeos, textos , sons e imagens de pássaros e as pessoas gostaram muito!

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CleverBox no Avistar 2014

No momento, estamos personalizando o CleverBox  para o projeto Eu aqui e você aí : : visualidades, com a educomunicadora Tatiane Pattaro. O dispositivo será usado como suporte para um galeria virtual de textos e imagens que serão produzidos por estudantes sobre os locais onde vivem, trocados entre si, formando,  com o tempo, uma rede nacional de pessoas que interagem mapeando e contando sobre os lugares que vivem por meio da fotografia e textos.