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Aprendizagem significativa nas escolas ocupadas em São Paulo

No texto “Quando vamos começar?” indago em que nodos e conexões do ecossistema da escola estariam os bloqueadores de fluxo da mudança tão desejada no sistema educacional fundamental brasileiro.

Nos últimos dias, nas mídias sociais e imprensa, as notícias e informações sobre a ocupação das escolas em São Paulo têm mostrado quem tem a potência de libertar o fluxo: os alunos do ensino médio organizados nas ocupações têm colocado em prática muito do que se chama nas teorias pedagógicas de aprendizagem por projeto (metodologia de aprendizagem por projetos) e aprendizagem experiencial ou significativa.

Imagino  (e espero) que tudo isto esteja sendo realizado em parceria com professores e, em muitos casos, apoiado por pais e mães. Li matérias falando do apoio da comunidade de entorno das escolas e convites à qualquer cidadão para que venha até a escola  e contribua  de alguma forma.

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Carl Rogers, no livro Liberdade para aprender, apresenta relatos de três experiências de aprendizagem experiencial: no sexto ano do ensino fundamental, num curso de graduação e numa pós-graduação. O livro vale ser lido por todo educador que está insatisfeito com a frustração cotidiana das salas de aulas atuais. Ele mostra como é possível fazer algo significativo mesmo em uma estrutura formal de ensino como a escola fundamental e o ensino superior. Neste livro ele define o que é a aprendizagem experimental ou significativa:

Tem ela a qualidade de um envolvimento pessoal – a pessoa como um todo, tanto sob o aspecto sensível quanto sob o aspecto cognitivo, inclui-se no fato da aprendizagem. Ela é auto iniciada. Mesmo quando o primeiro impulso ou o estímulo vêm de fora, o senso da descoberta, do alcançar, do compreender vem de dentro. É penetrante. Suscita modificação no comportamento, nas atitudes, talvez mesmo na personalidade do educando. É avaliada pelo educando. Este sabe se está indo ao encontro das suas necessidades, em direção ao que quer saber, se a aprendizagem projeta luz sobre a sombria área da ignorância da qual ele tem experiência. O locus da avaliação, pode-se dizer, reside, afinal no educando. O significado é a sua essência. Quando se verifica a aprendizagem o elemento de significação desenvolve-se, para o educando, dentro da sua experiência como um todo. (ROGERS, 1978, p. 21)

Pelo que tenho lido é este o fenômeno em curso nas escolas ocupadas.

Tico Santa Cruz, vocalista da banda de rock Detonautas em vista à EE Caetano de Campos, em São Paulo: É uma atitude que vale muito a pena, serve para quebrar um paradigma no Brasil de que os alunos não têm interesse pela escola e a comunidade não está associada a uma leitura mais dinâmica e apropriada da educação. O que está acontecendo em São Paulo é um movimento histórico que vai certamente repercutir no Brasil inteiro e servir para que outras escolas possam seguir de exemplo e que a gente possa de fato fazer algo pela educação pública do país.” (http://goo.gl/Dz1PbT)

Nas escolas ocupadas, os jovens criaram uma rotina de atividades. Eles se dividem em grupos para fazer a limpeza, garantir a alimentação, manter a segurança e atender às demandas da imprensa. Além disso, são programadas palestras, aulas abertas, debates e exibições de filmes. (http://goo.gl/R3VYKG)

Na Escola Comendador Miguel Maluhy, por exemplo, foram realizados saraus literários, oficinas de teatro e até o ensaio de bateria de uma pequena escola de samba da comunidade do bairro. Nessa unidade, ontem, os alunos estavam envolvidos num mutirão para pintar a quadra e paredes que estavam com a tinta descascada. Já na João Kopke, os manifestantes distribuíram comida para moradores de rua da vizinha Cracolândia. “A ocupação me deu uma visão social que eu não tinha”, disse Talhia Macedo, 17. (http://goo.gl/ubqLWz)

O Diário de São Paulo fez uma matéria  que vale a pena ler, entrevistando os alunos manifestantes de quatro escolas das zonas Sul, Oeste e Centro. Em geral, são adolescentes de classe média ou baixa, filhos de diaristas, motoristas, porteiros de prédio ou trabalhadores autônomos: Veja quem está por trás da ocupação das escolas

Uma iniciativa muito interessante, tendo em vista as ações truculentas do governo do Estado é a plataforma De guarda pelas escolas, em que você se inscreve e passa a ser um guardião de um escola, sendo avisado por SMS de qualquer intervenção violenta.

Segundo o G1, o número de escolas ocupadas em São Paulo na sexta feira, dia 27 , era 182 para a Secretaria Estadual de Educação  e 193 para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). As ocupações ocorrem em protesto contra a reestruturação da rede de ensino do governo Geraldo Alckmin e completam 18 dias nesta sexta.

Independentemente do que possa acontecer nos próximos dias e do impacto das ocupações no sistema escolar, a experiênia de liberdade, responsabilidade e a descoberta do que é possivel fazer juntos, que as pessoas que estão envolvidas em cada escola estão vivendo, é transformadora e educativa. Pela minha experiência de vida, viver coisas assim, ilumina a existência e cria um referência que nos diz que coisas muito boas são possíveis.

“Aprender é um fluxo contínuo, ao invés de um reservatório represado.”

George Siemens

 

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Quando vamos começar?

tecnologia-na-educacao_01Hoje li um artigo da BBC sobre educadores brasileiros que foram à Finlândia conhecer o sistema educacional, “Oito coisas que aprendi com a educação na Finlândia”. O país é considerado pela OCDE – a entidade que aplica o Pisa – como “um dos líderes mundiais em performance acadêmica”, se destacando pela igualdade na educação, alta qualificação de professores e por constantemente repensar seu currículo escolar.

Os oito itens elencados como pequenas revoluções são aquelas medidas que se tornaram lugar comum, pelo menos em artigos, estudos e propostas sobre mudanças na educação. Destaco entre elas:

  • usar a metodologia de aprendizagem por projetos: uma estratégica didática que vem sendo recomendada há muito e é a base de muitas ações inovadoras atuais. Uma boa leitura sobre a metodologia é  “Liberdade para aprender”. do Carl Rogers;
  • mudar o sistema de avaliação. Se formos focar mais na aprendizagem do que na ensinagem temos que  trocar o sistema de avaliação por um menos acumulativo e mais formativo e que tenha a participação do aluno. Conheci o sistema que usa rubricas para a avaliação e considero que pode transformá-la numa experiência muito rica;
  • configurar as salas de aula de forma que a interação seja fluída e a criatividade estimulada: inúmeras tecnologias sociais mostram como fazer isto: cocoriação interativa, open space; world cafe; design things;
  • incorporar TIC no processo de aprendizagem, tornando a experiência da sala de aula mais próxima da vida cotidiana na sociedade conectada e aproveitando a riqueza de possibilidades que as ferramentas e dispositivos tecnológicos oferecem;
  • valorizar o professor cultural e monetariamente e oferecer  ao mesmo uma formação mais prática;
  • o professor como facilitador, mediador e cocriador e não apenas como transmissor de conteúdos;
  • ver o aluno como produtor e cocriador  e não como receptor e audiência passiva.

Se você costuma acompanhar os debates sobre a as mudanças que precisam ser feitas na educação, certamente já viu estas proposições. Sendo estas iniciativas praticamente um consenso, fico me perguntando porque as mudanças não acontecem e quando acontecem não saem da escala de projeto em uma escola. Considerando que os municípios têm relativa autonomia em relação a políticas educacionais, o que será que retarda a adoção de iniciativas como  as indicadas? Inclusive vários têm programas e centros de formação para professsores.

Será a coordenação pedagógica das secretarias municipais, serão as diretoras de escolas, a coordenação pedagógica das escolas, os professores, os coordenadores dos centros de formação? Onde o fluxo para mudança está bloqueado? Que tipo de compromisso com o passado impede  a atualização cultural da escola e da educação?

Dos textos tipográficos ao hipertexto: a desigualdade de acesso ainda é problema na educação brasileira*

Um dos grandes desafios da escola é, sem dúvida, acompanhar as mudanças culturais. Na verdade, a expressão “acompanhar” não expõem a natureza do desafio que está colocado, pois não posiciona estes ambientes de formação na situação de protagonismo que poderiam ter na sociedade em relação à aprendizagem, desenvolvimento cultural e mudança social.

O texto “O desamparo da escola pública” relativo aos resultados do IDEB mostra o descompasso da escola com as demandas sociais e ressalta a questão da modernização e das novas tecnologias: “…a escola pública custa a ser modernizada e a implementar as novas tecnologias do ensino. No todo, ela mantém-se antiquada, desinteressante para o aluno e desamparada pelo poder público”. Este é o quadro geral, apesar de haver alguns projetos e iniciativas que mostram que seria possível avançar.

O problema da ineficiência das práticas de leitura e escrita na escola pública são anteriores ao surgimento do digital e possivelmente foi agravado pelas novas tecnologias, que exigem uma restruturação tecnológica dos ambientes e aprendizagens especializadas dos professores. O estudo “Avaliação das bibliotecas escolares do Brasil” destaca, como uma das evidências da pesquisa realizada, a precariedade da modernização tecnológica da maioria das escolas, onde na maioria das vezes, professores e alunos não tem acesso à internet. O estudo chama a atenção para situação de descompasso entre uma realidade marcada pelas inovações tecnológicas, que exigem atualizações frequentes tanto de equipamentos como de conhecimento e uma outra realidade, aquela da maioria das escolas, onde grande parte dos alunos ainda não se “apropriou inteiramente do código da escrita e da leitura”.

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A matéria do jornal Estado de São Paulo, refere-se a um projeto do FNDE/MEC com a Amazon para disponibilizar livros didáticos digitalizados para os professores do ensino médio da escola pública, que desde 2013 vêm recebendo tablets do Governo Federal. É uma medida muito positiva, pois para que os professores se sintam à vontade para lidar com o digital, precisam utilizá-lo e integrá-lo as suas práticas de aprendizagem pessoal.

Tecnologias digitais na escola pública

Não temos ideia de quando as tecnologias chegarão de forma massiva (como equipamento, serviço de conexão e com metodologias adequadas) aos alunos das escolas públicas no ambiente escolar, mas sabemos que, no cotidiano, estas crianças e jovens, como qualquer um de nós, vivem imersas num mundo de informações e conteúdos cada vez mais digitalizados e de relações constantemente mediadas pelas tecnologias de comunicação e interação em espaços sociais virtualizados. É possível que o período em que passam na escola, em sala de aula, seja o tempo em que estão mais desconectadas e que sejam menos afetadas pela virtualização tecnológica. Quando há internet nas escolas públicas, muitas vezes ela não é livre no ambiente escolar, normalmente está restrita aos espaços administrativos e ao laboratório de informática. Os celulares são proibidos. O ecossistema comunicativo das escolas públicas não é conectado nem conectivo, em grande parte.

De todos os elementos que compõem a problemática da tecnologia nas escolas, as crianças parecem ser os melhores situados para aproveitarem as oportunidades, pois como mostrou o vídeo “O buraco no muro”, havendo oportunidade de acesso e liberdade, a aprendizagem flui com facilidade.


É possível que o descompasso entre a leitura do mundo mediada pelas tecnologias digitais com todas suas características de fluidez (não linear, autonomia nos roteiros de descoberta/navegação, hipermidiática) cujo exercício é social e acontece naturalmente nos processos de interação virtual e a leitura de conteúdos pré-definidos e apresentados por um professor, numa sala de aula, diante de um quadro negro, numa situação disciplinar, seja um dos fatores que torna a escola e a sala de tão entediante atualmente, para o professor e para ao aluno.

No curso “Tecnologias na Aprendizagem/SENAC EAD”, estamos tendo contato com metodologias, como os projetos educativos e a Educomunicação, que são estratégias que poderão renovar a escola, mas é preciso que os professores e os dirigentes educacionais da educação pública, em atividade, sejam permeáveis a estas e outras novas formas de ensino-aprendizagem, abandonando a abordagem bancária e fordista da educação.

Não acontecendo esta permeabilidade da escola pública e a ampliação do grau de experimentação em relação ao ensino-aprendizagem, com incorporação das descobertas da neurociência sobre aprendizagem e cognição, o uso intensivo das tecnologias digitais e a adoção das novas abordagens pedagógicas, a desigualdade no país tenderá a aumentar.

Desigualdade de oportunidades

Segmentos sociais que têm acesso à escola privada e aos ambientes educativos não formais, onde as didáticas focam na liberdade, estímulo à criatividade, experimentação e autonomia, produção colaborativa, protagonismo e empreendedorismo, e têm acesso direto às tecnologias digitais, estarão melhores preparados para acessar as oportunidades de trabalho e colocar-se nos mercados.

O capitalismo informacional tem oportunidades para os que tem domínio da comunicação e desenvolvimento de uma inteligência cada vez mais conectiva e conectada, habilidades sociais para a colaboração e interação intensiva, capacidade de lidar criticamente com os novos meios, além da competência para organizar a torrente de informação que é produzida.

Os dois projetos que foram apresentados como referência para a reflexão (Devorador de livros e Fábrica de poesia), são muito estimulantes para o desenvolvimento da leitura e da escrita. Mas os dois necessitam que a internet esteja disponível na escola e o “Devorador de livros” oferece uma pequena amostra de uso livre, mas é pago. Como eles, há diversos sites, aplicativos e projetos digitais muito estimulantes e apropriados para a exploração e produção de hipertextos. No entanto, o acesso não é universal para a camada estudantil.

Em relação as mudanças nas práticas de leitura e escrita, desde o advento das tecnologias digitais, com o computador pessoal e posteriormente com a Web 2.0, vivemos realmente uma revolução que impacta várias dimensões pessoais e sociais: é cognitiva, amplia e sustenta redes de interação e ecossistemas comunicativos polifônicos. Saímos de um mundo ordenado tipograficamente, lógico, linear, hipotético, dedutivo e passamos para um mundo audiovisual e de sintaxes híbridas, com predominância do sensorial e da percepção. Os códigos são híbridos. A intuição, a afetividade e a imaginação são ativadas, conformando novas formas de inteligências, de subjetividade e de leituras de mundos. São muitos os recursos tecnológicos, o volume disponível de dados, informação e conhecimento é único. A possibilidade de produzir e distribuir de forma autônoma, de expressar-se em textos de variados formatos e em diversificados suportes não tem comparação na história humana.

Hibridismo é um dos conceitos que define nossa época. Desde as técnicas de produção que se servem da bricolagem, da recombinação e da exaptação do que existe nos mundos em que estamos imersos e nos quais interagimos, até às práticas didáticas, tudo é marcado pela mistura, pela mestiçagem. Por exemplo, em nosso curso, que é voltado ao estudo do uso de tecnologias na aprendizagem, as habilidades de leitura tipográfica, a leitura hipertextual, e a escrita linear são igualmente mobilizadas.

Assim, tudo convive em nossas práticas: o mundo tipográfico e a rede de hipertextos, disponíveis para elaboração do conhecimento. De alguma forma, é fabuloso. Lembra um desenho de Escher, lúdico, com muitos imbricamentos e caminhos. Mas, como educadora, não consigo deixar de pensar nos contextos em que as oportunidades anunciadas se atualizam e no desafio de transformar alunos de escolas públicas em interagentes imersos no ciberespaço.

* Texto produzido para a disciplina Produção coletiva de textos impressos e digitais, no curso Tecnologias na aprendizagem / SENAC EAD.

Impacto das mudanças tecnológicas na educação

O grande desafio é não naufragar no volume de informações, na rapidez do fluxo e na ilusão da necessidade de inovação tecnológica permanente, como se esta fosse uma necessidade humana e não uma necessidade do sistema capitalista, naturalizada culturalmente. As análises das tendências que relacionam tecnologia com educação/instrução podem ser abordadas como epistemes relacionados a dispositivos do capitalismo imaterial/cognitivo e outros. É importante, fundamental, e diria que urgente,  ser crítico em relação à inovação.

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Uma tendência que é crescente, mas não vi nos artigos indicados pelo curso* em relação ao tema, é a desescolarização, inspirada em pensadores como Ivan Illich e vários outros. Este movimento tem crescido em clusters de classe média, conectadas e que vivem na área de influência das grandes metrópoles. Ou a criação de novo tipos de escolas, como a experiência que está sendo realizada em Cotia, região metropolitana de São Paulo, inspirada na escola da Vila, de Portugal e com a assessoria do educador José Pacheco.

Uma característica atual das conversas sobre a educação é uma unânime crítica à escola como instituição que detêm o conhecimento na sociedade. Esta crise de autoridade está diretamente relacionada ao avanço das tecnologias de interação e comunicação e sua popularização, que possibilitam diariamente a milhões de pessoas no mundo todo, a aprendizagem autodidata e alterdidata (aprender com o outro) sem a mediação direta das instituições de ensino e professores.

A WEB 2.0 e a conectividade intensiva, a interação cada vez mais distribuída das pessoas, o conceito de conhecimento aberto e a ideologia não proprietária estão causando profunda mudança nas formas de convivência e de produção de bens materiais e imateriais em todas as sociedades do mundo e as instituições de educação/instrução também terão que se adaptar às novas configurações culturais e econômicas. No entanto, é possível que as formas conservadoras de ensino não desapareçam totalmente e viveremos em mundos cada vez mais híbridos em termos culturais e tecnológicos. O caráter híbrido dos fenômenos culturais; a recombinação e a exaptação como técnicas de produção; a mobilidade das pessoas e o compartilhamento obsessivo já são características do presente.

No campo da Educação já estamos vivendo sob o impacto de muitas mudanças. Em relação a aprendizagem cada vez mais online, teremos que avançar bastante na percepção da influência do design de interface e como ele configura a interação das pessoas, para que os fluxos sejam cada vez mais desobstruídos. As tutorias e mediações de aprendizagem terão que abandonar práticas de comando-controle e de transmissão de conteúdo e avançar no conhecimento da fenomenologia da interação, conforme os conhecimentos gerados na nova ciência de redes. Por exemplo, o conectivismo já é uma teoria pedagógica que pensa  a aprendizagem em dinâmicas de interação.

Um grande desafio que será enfrentado é o movimento de não propriedade do conhecimento, que afetará a indústria da educação, como afetou a indústria de música e a do jornalismo. Está em curso a necessidade de invenção de uma nova economia para a Educação.

Os MOOCs (Massive Open Online Course) são uma iniciativa ainda imatura. O alto índice de desistência é um sintoma que denuncia que há vários problemas nos modelos que vêm sendo implantados, mas são laboratórios para pensarmos e experimentarmos sobre ensino/aprendizagem online. Muito do  novo paradigma dos negócios educacionais está sendo desenhado nestes experimentos.

A questão da aprendizagem analítica, inspirada no uso das análises de dados e métricas sobre consumidores, com origem na área de marketing, tem a limitação genética de ser uma abordagem quantitativa, que pode contribuir, mas sempre será complementar às abordagens que tratem da complexidade do processo de aprendizagem. As instituições que reduzirem o aprendiz a um consumidor ou cliente não vão liderar.

Vivemos num mundo onde muitos objetos, ambientes e interações podem promover uma situação de aprendizagem. Aplicativos e ferramentas variados e acessíveis possibilitam apropriações e intervenções sobre a realidade e afetam nossa forma de viver o cotidiano e as leituras que fazemos dos mundos em que circulamos. A mobilidade é um dos fatores mais provocadores, pois causa desterritorialização nos coloca em contato com experiências  culturais diversas e, além disso,  torna as relações e os vínculos com pessoas e lugares muito instáveis, gerando novos tipos de sociabilidade.

O papel do professor será cada vez mais a curadoria de roteiros para aprendizagem e a configuração de ambientes de aprendizagem que estimulem a criatividade, a colaboração e a cooperação, o protagonismo e o senso de comunidade.

É importante que nos perguntemos, diante das teorias pedagógicas e das tecnologias, que conceitos de ser humano e de sociedade estão implícitos nas verdades que sustentam. Penso que esta é uma boa pergunta para orientar educadores no fluxo das mudanças.

Um tipo de ambiente de aprendizagem e convivência que pode ensinar muito sobre as tendências da educação no século XXI é o laboratório Hacker. Nestes espaços de hackerismo há uma prática intensiva de cooperação, colaboração, uso comum de recursos, responsabilidade distribuída, espírito de comunidade, compartilhamento de conhecimento e aprendizagem permanente. São plataformas sociais e culturais onde muito do que estamos investigando já está acontecendo.

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* Texto produzido como conclusão do trabalho individual na disciplina Espaços educativos e suas mobilidades / Curso Tecnologias na Aprendizagem /SENAC EAD. Junho 2014

parcerias: Eu aqui e você ai:: visualidades

parcerias: Eu aqui e você ai:: visualidades

Projeto em desenvolvimento coma educomunicadora Tatiane Pataro, no âmbito do mais educação, em escolas públicas,  propõe explorar a função social e educativa da fotografia. As vivências fora da escola expandem o olhar mediado pela fotografia, escrita, leitura visual e textual de forma ativa, na qual o mundo se revela sob o olhar de quem o observa e, na recepção do material, no olhar de quem recebe a imagem e o texto. Estas representações e sentidos criados a partir dos materiais trocados vão alimentar a interação na rede de estudantes participantes do projeto.

moocs e distância transacional

Desde as teorias de Piaget e principalmente de Vigotski, o aspecto interativo e o valor da interação com os outros no processo de aprendizagem tornaram-se aspectos centrais nas propostas pedagógicas e instrucionais. No entanto, apesar da tese aceita que “o processo de aprendizagem é definido pelo ambiente de aprendizagem”, e do reconhecimento da interação social como elemento essencial na construção do conhecimento, os ambientes de e-learning ainda não conseguiram, em sua maioria, explorar amplamente esta abordagem em seus projetos.

Para fazer a análise solicitada numa disciplina do curso “Tecnologias na aprendizagem” (EAD SENAC) escolhi dois recursos – Fórum e Anotações –  de  um sistema brasileiro de oferta de cursos no estilo MOOCs, o Veduca. A situação de aprendizagem, podemos dizer “a aula”, consiste basicamente em assistir vídeos.

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Ambiente de aprendizagem do Veduca.

Fórum

O recurso mais interativo existente, o Fórum, apresenta algumas características que prejudicam, mas não obstruem o fluxo da interação. Os problemas identificados ali ocorrem em muitos dos fóruns de AVAs, principalmente porque não é dada a devida importância ao impacto negativo da configuração do ambiente, que é feita também pelo design de interface e não só pelas relações entre as pessoas, interação com o conteúdo e regras de uso. Considerando que a interação mútua ocorre como um fluxo (que pode ser síncrono ou assíncrono devido a sensação de continuum comunicacional que a conectividade a interatividade criam) detalhes como os identificados podem desestimular a comunicação e diminuir a interatividade, já que impactam na interação.

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Fórum.

Pelo design da interface, a área do Fórum ficou estreita na tela. As postagens ficam compridas e estreitas, o que não é tão confortável para leitura. Não é permitida a edição do texto depois de postado, o que é limitante do ponto de vista da clareza da comunicação. Como a interação e a colaboração, são muitas vezes um impulso, e é comum cometermos erros de digitação, gramática e sintaxe, ficar com o texto errado pode ser constrangedor e limitante. A opção de escrever num doc para poder revisar e depois colocar no fórum, corta o fluxo da interação, sua naturalidade. Não poder apagar a postagem é outro fator limitante e restringe a liberdade do usuário sobre sua produção.

Em relação à posição do Fórum no ambiente, se fosse colocado abaixo do vídeo, um espaço que está vazio,  ele seria mais confortável e estimularia a interação com mais força. Nesta posição a leitura das postagens ficaria mais confortável.

As postagens feitas não aparecem na caixa de entrada de seu e-mail. Não sei se quando há resposta ao tópico que você postou elas aparecem, pois ninguém respondeu ainda à postagem que fiz. Aparecer poderia ser uma opção de configuração, pois isso facilitaria manter a interação e atrair o estudante para a plataforma novamente.

Não há a possibilidade de fazermos “amigos” nem de compartilhar as anotações, o que poderia tornar a aprendizagem mais social e interativa. A configuração não possibilita que se formem comunidades de aprendizagem, não é possível a percepção de se estar pertencendo a uma comunidade. É possível compartilhar no Facebook e no Twitter, mas isso leva a interação para fora do ambiente da plataforma educativa.

Anotações

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Anotações.

O recurso Anotações facilita a aprendizagem do conteúdo por meio de registro de notas, mas não é propriamente interativo. Se fosse possível compartilhar as anotações com as outras pessoas que estão fazendo  o curso, poderia ser um bom apoio e pretexto para a interação. As anotações poderiam ser um importante disparador de transações para construção social de conhecimento. Mas o recurso não  permite compartilhamento nem exportação. Além disso, só é visível e acessado quando não estamos com a tela cheia,o que diminui seu valor como suporte ao aprendizado. Se é possível, não consegui descobrir como.

Reflexão

Como num MOOC não há colegas no sentido tradicional da expressão, nem moderador/facilitador e , no caso analisado, não podemos compartilhar conteúdo produzido pessoalmente, a distância transacional é enorme.  Ela é uma  distância pedagógica, cognitiva e social que existe entre professor e aluno  e influencia a eficácia e eficiência da aprendizagem. Como Michael G.Moore demonstrou, quanto maior a distância transacional maior a necessidade de que o aluno seja um sujeito autônomo.

Considerando que a autonomia como atitude é uma novidade cultural na história da Educação, que durante muito tempo valorizou a obediência e a aprendizagem passiva como comportamentos positivos, é possível que esteja aqui, uma das explicações para as dificuldades que os MOOCs enfrentam como sistema de aprendizagem, pois são idealizados para um tipo ideal de estudante que ainda está se constituindo culturalmente: o aluno autônomo, aquele que, segundo Robert Boyd “pode abordar assuntos diretamente sem ter adulto participando de um conjunto de papeis de mediação entre o aluno e o conteúdo”.

Circuitos de Aprendizagem Mais Educação

Desde novembro de 2013 integro a equipe de desenvolvimento dos sites do projeto Circuitos de Aprendizagem Mais Educação, um convênio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul com o MEC, no âmbito do Programa Mais Educação.

A proposta do projeto é apoiar, via sites, a formação de uma rede social nacional de professores, monitores (educadores sociais) e estudantes que participam do Mais Educação no Brasil. São cinco plataformas temáticas relacionadas aos macrocampos do Programa e um site de acesso público com notícias do projeto. Foram realizadas três gincanas de mobilização para o cadastramento nos sites e um concurso de Melhores Práticas que culminou com um evento de premiação em Campinas-SP, em abril. No evento, uma aula show de Gilberto Gil. O projeto termina no final de maio de 2014.

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Os premiados com Gilberto Gil.

Minha atividade teve duas frentes: atuar como animadora, interagindo com os usuários das plataformas e, junto à equipe de desenvolvimento, analisando a plataforma do ponto de vista da interação, abordagem que vai além das questões da usabilidade pois procura identificar as obstruções provocadas pela interface e regras de uso no fluxo da interação entre as pessoas e das pessoas com o conteúdo. Entre as explorações que fiz da interface, está um curso tipo MOOC sobre mapas mentais, criado após o evento de Melhores Práticas em abril, praticamente no final do projeto.

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Cocriação sobre o Mais Educação no evento Melhores Práticas.

A ideia de uma rede nacional de professores, monitores e estudantes do Mais Educação teve uma grande de aceitação e, apesar do projeto nacional ter durado apenas 5 meses, alcançou 28.422 usuários (dado de 20.05.2014), somando-se os cadastrados nas cinco plataformas.  Foi surpreendente conhecer o que está acontecendo nas escolas do país, no horário dedicado ao Programa, e ter contato  com a força vocacional de monitores e professores, que mesmo enfrentando uma série de dificuldades, fazem coisas boas e importantes com seus alunos e para suas comunidades.

Também comprovar o impacto positivo que o uso das tecnologias de interação e comunicação podem trazer aos processos educativos, favorecendo a conectividade entre a as pessoas e possibilitando o compartilhamento de inteligência, conhecimento, informação e afetos.

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Premiados na apresentação de seus projetos no evento.

Site público do projeto: http://www.circuitosmaiseducacao.net/

Página do projeto no Facebook https://www.facebook.com/circuitosmaiseducacao