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Mais que resistência, invenção

A Baia Hacker com o tempo se configura como um laboratório social, na exploração intensa da interação e do que ela pode produzir, ali, localmente, no microcosmos das redes de convivência que abrangem mais que Itu, pois vivemos num continuum comunicacional, um território virtual entre conectados. A Baia é um laboratório hacker, um projeto da Cria Corpo, empresas ( CriaSolo, Instituto Cidade Jardim, Usimetal, Solid Products  Sinapse, entre outros) e pessoas parceiras num programa da incubadora da Prefeitura de Itu.

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Foto: Daniela Noronha

O desafio é como podemos criar e sustentar um ambiente amigável, que acolha as pessoas e seus diferentes interesses, de forma que possa ancorar iniciativas econômicas e de aprendizagem que não sejam mediadas apenas pela sociabilidade de mercado e  da produtividade.

Muitas das pessoas que convivem lá têm passagens por organizações não governamentais, movimentos sociais, redes. Muitos são pequenos e micro empreendedores, com idade, variando de 20 a 60 anos. Pessoas cuja visão de negócios está relacionada à felicidade, saúde e bem comum e cujas atividades em grande parte podem ser enquadradas no que hoje se chama de economia criativa (comida, pintura, comunicação, fotografia, música, arte, criação, design…). Uma classe média bem brasileira, pouco dinheiro, pequenos negócios e muita colaboração entre as pessoas para viabilizar ideias e projetos.

Não é aquela turma das startups, do empreendedorismo de prêmios, que viaja pelo mundo, aparece nos TEDS.  Há muita potência, mas são pessoas comuns, produzindo a vida, em cidades interioranas, onde novas formas de viver e ganhar a vida precisam de nichos para se desenvolver, pois prevalece  um certo provincianismo.

Tudo isto ficou muito claro para mim com a realização do Sarau Hacker que reuniu a comunidade que frequenta e gira em torno do espaço da Baia. Lá,  saquei que uma das melhores coisa que uma política pública interessada em impulsionar a economia criativa pode fazer é garantir espaços (e se possível, equipamentos)  para que os pequenos e frágeis negócios se instalem e se desenvolvam. Neste espaços, sem ter que pagar aluguel e com alguma estrutura e gestão que respeite a autonomia e o bem comum, as pessoas podem ter a liberdade e a oportunidade de inventar, encontrar parceiros, aprender a empreender, errar e ser solidários.

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Assim como a Baia Hacker, pelo que vejo no Facebook, que é a rede social que frequento diariamente, há inúmeros espaços de convivência com este espírito acontecendo no Brasil.  Neles , passamos da resistência à invenção de novas formas de viver em sociedade. São experiências frágeis, experimentais, muitas vezes precárias.  São na maior parte das vezes invisíveis para as politicas públicas. Neles passamos da resistência à invenção de novas formas de viver em sociedade. São vitais para a sociedade brasileira.

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Explorando o possível adjacente

Nos últimos dias  continuamos nossa exploração do possivel adjacente, usando e apresentando o GiFT em várias oportunidades. O possível adjacente é um conceito utilizado por Steven Johnson em “De onde vem as boas ideias”. Um possível adjacente favorável é um dos fatores do  padrão comum identificado por ele no surgimento e  sucesso de  boas ideias.

Uma boa ideia, uma invenção,  é um tipo de bricolagem, de montagem que você faz com o que há nos lugares onde vive, circula, aprende. Criar uma coisa nova e útil,  sempre tem muito de exaptação (outros dos fatores do sucesso, identificado por Johnson). As habilidades, recursos, tecnologias  e conhecimentos existentes onde se vive são a matéria prima e, às vezes, o limite ou a condição de sucesso de uma ideia. [se ainda não leu o livro do Johnson, leia]

Por isso  adorei o Software Free Day, que aconteceu no Laboratório Hacker de Campinas, dia 25 de setembro. O SFD é um evento internacional, mantido pela Software Freedom International (SFI). Em Campinas, a organização foi do  LibrePlanet São Paulo.

Fomos convidados para apresentar o projeto GiFT e o CleverBox, que está cada dia melhor com o trabalho que a rede de usuários do LibraryBox vem fazendo no mundo, incluindo o Edson Ribeiro. Mas o importante foi conhecer as pessoas e as ideias, e conectar num ambiente que faz com que o possível adjacente fique muito propício para um bom desenvolvimento da versão para escolas públicas que venho desenhando para o GiFT. [Cada vez mais  forte a percepção da importância e a vontade de levar a cultura  do software livre para o ambiente escolar.]

Foi lá que escutei : “Computador não é eletrodoméstico, ele é programável!”

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No sábado anterior, fomos  numa ocupação generosa em Barão Geraldo, organizada pelo mupi  e sciencia, gente da economia criativa da RMC que conhecemos na Feira dos Patrulheiros. GiFT!

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E no dia seguinte, no TEDx Praça da Independência, em Itu, uma produção coletiva de uma rede local muito consistente e ativa.  O tema, a “Cidade que queremos”.  Amigos, ideias, sonhos. E GiFT!

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Coroando tudo isso, inscrevi o GiFT no  prêmio Tecnologia é a Ponte, uma iniciativa do Changemakers da Ashoka e do Instituto Embratel Claro, que criaram um desafio para identificar projetos em andamento em todo o Brasil que utilizem as TICs como ponte para conectar jovens e crianças com novos saberes e oportunidades. Há projetos do mundo todo inscritos na plataforma e muitos são ideias de grande alcance social.  Dá uma passada lá.

GiFT no Patrulheiros Campinas

Na semana de 25 de agosto estivemos  com o GiFT na 3ª Feira Estudantil da ong socioeducativa Patrulheiros Campinas. Montei uma biblioteca  com foco em juventude e estudo e também para educadores.

Patrulheiros Campinas é uma organização que atende adolescentes, de 15 a 18 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, sem distinção de raça, sexo, visão política ou crença religiosa. Um trabalho que já tem 25 anos e pelo que vi nos dias em que estive por lá, representa uma oportunidade para muitos jovens trabalhadores terem perspectiva de futuro e um presente significativo, de valorização humana e voltado para o  desenvolvimento pessoal.

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Percebi que, apesar da maioria dos jovens terem smartfones, ainda são muito poucos os que se relacionam com as tecnologias de interação e comunicação da internet como produtores e criadores, saindo da posição de consumidor e de usuário.

Imagino, suponho,  que isto está relacionado à dificuldade de acesso a computadores e a um ambiente cultural onde a apropriação de tecnologias e conhecimento, criação e experimentação sejam a tônica.

Em minhas andanças pelas escolas públicas e nos ambientes colaborativos, vejo que o espírito de laboratório, aprendizagem significativa  e livre criação não estão disponiveis para os jovens das classes mais pobres. O movimento software livre, o open source e os conceitos relacionados às pedagogias de liberdade e de desenvolvimento da criatividades ainda estão restritos às classes médias médias em diante na pirâmide social e ao pessoal que está ( ou  circula)  no ambiente universitário.

Vou começar a investigar, mas pressuponho que na democratização do acesso a tudo isso  teremos uma boa pauta para  intervenções criativas e políticas.

GIFT na exposição Síria: civilização e história

Entre 14 e 25 de julho, aconteceu no Centro Paula Souza , em São Paulo, a exposição Síria: civilização e história, idealizada por Edison Mariotti, com o apoio do Centro Cultural Árabe Sírio. A mostra apresentou trinta painéis que contemplam um recorte histórico da civilização milenar da Síria – os sítios arqueológicos.

Mariotti incluiu na atividade o LibraryBox como suporte tecnológico à exposição, gerando uma rede “WI-FI” local, sem acesso à internet, que propiciou ao visitante, contemplar as obras da exposição, com suas notas explicativas; dados estatísticos e demais relacionados, em seu celular, tablet ou netbook. E baixar em seu equipamento o que lhe interessava.

Já é a segunda exposição em que usamos o LibraryBox, e a avaliação é muito positiva. A solução reduz os custos com a comunicação local e contribui para preservar os suporte das obras (biombos) ou as paredes, pela ausência de cartazes e adesivos. Facilita a interação com o espaço e com as obras e permite que o visitante tenha registrado no seu dispositivo o que for de seu maior interesse, excluindo-se fotos, folhetos ou catálogos, e especialmente dispensando a ajuda de monitores. E também contribui a disseminação do evento nas redes sociais.

É a caixinha esperta em ação. siriaEstamos em fase de explorar suas aplicações em várias situações. GIFT!

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Zona de rede livre gerada na exposição VERaCIDADE com o CleverBox, Linhares-ES.

CleverBox é uma apropriação do LibraryBox , projeto desenvolvido por Janson Griffey, um professor universitario e pesquisador norte americano. O projeto está registrado como Criative Commons e disponível para uso e desenvolvimento. A ideia é criar uma rede local sem fio para lugares onde não há internet. O dispositivo é móvel e gera uma nuvem móvel de conteúdos que podem ser acessados e compartilhados entre os que estiverem conectados nesta rede

O dispositivo  facilita o acesso a conteúdos variados e a aproximação de educadores e estudantes com a tecnologia digital. A adaptação inclui novas funções e tradução para o português do material original. A equipe envolvida oferece orientação e suporte presenciais e online para seu uso.

Como funciona

Atualmente o CleverBox está na versão 1.0 beta, que possibilita montagem e compartilhamento (via download) de conteúdos nos formatos imagem, texto, doc/pdf, vídeo e áudio, que são organizados em uma biblioteca virtual. Além do compartilhamento, o CleverBox 1.0 beta oferece chat. Subir materiais (upload) e organizar a biblioteca só pode ser realizado pelo administrador do ambiente. Estamos trabalhando para unir as duas funções num só dispositivo.

O conjunto é composto por um TP Link MR3020 modificado, um pendrive de 16 GB SanDisk e um carregador de bateria solar. O TP Link pode ser ligado em qualquer tomada elétrica.

Muitas utilidades

O dispositivo pode ser usado como suporte tecnológico nas seguintes  atividades e você pode inventar outras mais:

– Em projetos educativos como biblioteca de conteúdos em diversos formatos.
– Em situações de emergência com documentos e orientações específicas.
– Em trabalhos de campo.
– Em palestras para compartilhar material apresentado.
– Em reuniões para compartilhar documentos e materiais em vários formatos.
– Em projetos de estímulo à leitura, como uma biblioteca volante.
– Em todo as atividades em que for necessário transportar e compartilhar documentos digitais e não disponha há de internet.
– Em intervenções nos espaços urbanos e rurais.
– Em exposições culturais.
– Em cursos e oficina como biblioteca de textos, testes e registro de atividades.

Quer um? Entre em contato: viviamaralsp@gmail.com

parcerias: zona sanguessugavírus no VERaCIDADE

Projeto em parceria com o Instituto Rosa Pattaro, explorando  as potencialidades do CleverBox no projeto VERaCidade, na escola CID Adalberto dos Reis, em Linhares-ES,  criando a zona sanguessugavírus  com a caixinha esperta.

Em 17 de junho, no lançamento da exposição VERaCIDADE, geramos  a Zona Sanguessuga Vírus no Centro Cultural Nice Avanza, em Linhares – ES.  Zona Sanguessuga Vírus é o nome que os estudantes que participaram do projeto deram à rede sem fio gerada pelo CleverBox.

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A caixinha esperta: CleverBox

No projeto Circuitos de Aprendizagem, eu e Edson Ribeiro fomos apresentados por  Carlos Diego, da CriaCorpo, ao PirateBox, dispositivo  criado por David Darts.

O PirateBox é um sistema auto-suficiente de colaboração digital móvel sem acesso à Internet, que serve para o compartilhamento de arquivos. É inspirado pelo conceito de rádio pirata e pelo movimento de cultura livre. Utiliza software livre e de código aberto para criar uma rede local sem fio de comunicação e compartilhamento de arquivos. Os usuários podem conversar anonimamente bem como trocar imagens, vídeos, áudios, documentos e outros conteúdos digitais.

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PirateBox

Nos apaixonamos pela caixinha mágica e começamos a investigar, pensando em explorar suas potencialidades  nas atividades da Sinapse e outras.  Enquanto Edson (que é quem entende de desenvolvimento) dedicava-se a montar um PirateBox, descobrimos o LibraryBox.  Mais paixão!

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LibraryBox v2.0

LibraryBox é uma bifurcação do PirateBox para roteadores que aceitem o OpenWrt, personalizado para  a área educacional, concebido e criado por Jason Griffey. A ideia é um biblioteca digital com conteúdo em vários formatos.  Em qualquer lugar em que  há  falta de acesso à internet, LibraryBox pode prover a entrega de informações e facilitar a interação.

CleverBox é a nossa versão do LibraryBox. Estamos fazendo mudanças para adaptá-lo aos ambientes e usos que estamos imaginando.  Apresentamos para amigos no Avistar 2014, com uma biblioteca de vídeos, textos , sons e imagens de pássaros e as pessoas gostaram muito!

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CleverBox no Avistar 2014

No momento, estamos personalizando o CleverBox  para o projeto Eu aqui e você aí : : visualidades, com a educomunicadora Tatiane Pattaro. O dispositivo será usado como suporte para um galeria virtual de textos e imagens que serão produzidos por estudantes sobre os locais onde vivem, trocados entre si, formando,  com o tempo, uma rede nacional de pessoas que interagem mapeando e contando sobre os lugares que vivem por meio da fotografia e textos.