Arquivo mensal: outubro 2015

Quando vamos começar?

tecnologia-na-educacao_01Hoje li um artigo da BBC sobre educadores brasileiros que foram à Finlândia conhecer o sistema educacional, “Oito coisas que aprendi com a educação na Finlândia”. O país é considerado pela OCDE – a entidade que aplica o Pisa – como “um dos líderes mundiais em performance acadêmica”, se destacando pela igualdade na educação, alta qualificação de professores e por constantemente repensar seu currículo escolar.

Os oito itens elencados como pequenas revoluções são aquelas medidas que se tornaram lugar comum, pelo menos em artigos, estudos e propostas sobre mudanças na educação. Destaco entre elas:

  • usar a metodologia de aprendizagem por projetos: uma estratégica didática que vem sendo recomendada há muito e é a base de muitas ações inovadoras atuais. Uma boa leitura sobre a metodologia é  “Liberdade para aprender”. do Carl Rogers;
  • mudar o sistema de avaliação. Se formos focar mais na aprendizagem do que na ensinagem temos que  trocar o sistema de avaliação por um menos acumulativo e mais formativo e que tenha a participação do aluno. Conheci o sistema que usa rubricas para a avaliação e considero que pode transformá-la numa experiência muito rica;
  • configurar as salas de aula de forma que a interação seja fluída e a criatividade estimulada: inúmeras tecnologias sociais mostram como fazer isto: cocoriação interativa, open space; world cafe; design things;
  • incorporar TIC no processo de aprendizagem, tornando a experiência da sala de aula mais próxima da vida cotidiana na sociedade conectada e aproveitando a riqueza de possibilidades que as ferramentas e dispositivos tecnológicos oferecem;
  • valorizar o professor cultural e monetariamente e oferecer  ao mesmo uma formação mais prática;
  • o professor como facilitador, mediador e cocriador e não apenas como transmissor de conteúdos;
  • ver o aluno como produtor e cocriador  e não como receptor e audiência passiva.

Se você costuma acompanhar os debates sobre a as mudanças que precisam ser feitas na educação, certamente já viu estas proposições. Sendo estas iniciativas praticamente um consenso, fico me perguntando porque as mudanças não acontecem e quando acontecem não saem da escala de projeto em uma escola. Considerando que os municípios têm relativa autonomia em relação a políticas educacionais, o que será que retarda a adoção de iniciativas como  as indicadas? Inclusive vários têm programas e centros de formação para professsores.

Será a coordenação pedagógica das secretarias municipais, serão as diretoras de escolas, a coordenação pedagógica das escolas, os professores, os coordenadores dos centros de formação? Onde o fluxo para mudança está bloqueado? Que tipo de compromisso com o passado impede  a atualização cultural da escola e da educação?

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