Arquivo mensal: setembro 2014

Explorando o possível adjacente

Nos últimos dias  continuamos nossa exploração do possivel adjacente, usando e apresentando o GiFT em várias oportunidades. O possível adjacente é um conceito utilizado por Steven Johnson em “De onde vem as boas ideias”. Um possível adjacente favorável é um dos fatores do  padrão comum identificado por ele no surgimento e  sucesso de  boas ideias.

Uma boa ideia, uma invenção,  é um tipo de bricolagem, de montagem que você faz com o que há nos lugares onde vive, circula, aprende. Criar uma coisa nova e útil,  sempre tem muito de exaptação (outros dos fatores do sucesso, identificado por Johnson). As habilidades, recursos, tecnologias  e conhecimentos existentes onde se vive são a matéria prima e, às vezes, o limite ou a condição de sucesso de uma ideia. [se ainda não leu o livro do Johnson, leia]

Por isso  adorei o Software Free Day, que aconteceu no Laboratório Hacker de Campinas, dia 25 de setembro. O SFD é um evento internacional, mantido pela Software Freedom International (SFI). Em Campinas, a organização foi do  LibrePlanet São Paulo.

Fomos convidados para apresentar o projeto GiFT e o CleverBox, que está cada dia melhor com o trabalho que a rede de usuários do LibraryBox vem fazendo no mundo, incluindo o Edson Ribeiro. Mas o importante foi conhecer as pessoas e as ideias, e conectar num ambiente que faz com que o possível adjacente fique muito propício para um bom desenvolvimento da versão para escolas públicas que venho desenhando para o GiFT. [Cada vez mais  forte a percepção da importância e a vontade de levar a cultura  do software livre para o ambiente escolar.]

Foi lá que escutei : “Computador não é eletrodoméstico, ele é programável!”

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No sábado anterior, fomos  numa ocupação generosa em Barão Geraldo, organizada pelo mupi  e sciencia, gente da economia criativa da RMC que conhecemos na Feira dos Patrulheiros. GiFT!

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E no dia seguinte, no TEDx Praça da Independência, em Itu, uma produção coletiva de uma rede local muito consistente e ativa.  O tema, a “Cidade que queremos”.  Amigos, ideias, sonhos. E GiFT!

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Coroando tudo isso, inscrevi o GiFT no  prêmio Tecnologia é a Ponte, uma iniciativa do Changemakers da Ashoka e do Instituto Embratel Claro, que criaram um desafio para identificar projetos em andamento em todo o Brasil que utilizem as TICs como ponte para conectar jovens e crianças com novos saberes e oportunidades. Há projetos do mundo todo inscritos na plataforma e muitos são ideias de grande alcance social.  Dá uma passada lá.

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GiFT no Patrulheiros Campinas

Na semana de 25 de agosto estivemos  com o GiFT na 3ª Feira Estudantil da ong socioeducativa Patrulheiros Campinas. Montei uma biblioteca  com foco em juventude e estudo e também para educadores.

Patrulheiros Campinas é uma organização que atende adolescentes, de 15 a 18 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, sem distinção de raça, sexo, visão política ou crença religiosa. Um trabalho que já tem 25 anos e pelo que vi nos dias em que estive por lá, representa uma oportunidade para muitos jovens trabalhadores terem perspectiva de futuro e um presente significativo, de valorização humana e voltado para o  desenvolvimento pessoal.

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Percebi que, apesar da maioria dos jovens terem smartfones, ainda são muito poucos os que se relacionam com as tecnologias de interação e comunicação da internet como produtores e criadores, saindo da posição de consumidor e de usuário.

Imagino, suponho,  que isto está relacionado à dificuldade de acesso a computadores e a um ambiente cultural onde a apropriação de tecnologias e conhecimento, criação e experimentação sejam a tônica.

Em minhas andanças pelas escolas públicas e nos ambientes colaborativos, vejo que o espírito de laboratório, aprendizagem significativa  e livre criação não estão disponiveis para os jovens das classes mais pobres. O movimento software livre, o open source e os conceitos relacionados às pedagogias de liberdade e de desenvolvimento da criatividades ainda estão restritos às classes médias médias em diante na pirâmide social e ao pessoal que está ( ou  circula)  no ambiente universitário.

Vou começar a investigar, mas pressuponho que na democratização do acesso a tudo isso  teremos uma boa pauta para  intervenções criativas e políticas.